30 de mai de 2008,14:15
VIGÉSIMA PRIMEIRA LEVA
Eva
Pintura: Canato




...então, abriu-se a Luz e Ele disse:
“terás três destinos e somente três,
primeiro andarás nu
e sofrerás calor e frio,
enfrentarás pântanos, bestas e feras,
dormirás em árvores e cavernas.
usarás a clava
e conhecerás o Instinto,
andarás, amarás, matarás,
mas terás estrelas
e futuro.

Depois, conhecerás a Evolução
e farás descobertas,
aplacarás o Instinto,
criarás deuses, armas e reis,
farás guerras e monumentos,
viajarás dentro de ti mesmo (filosofia)
e pelos quatro ventos,
dividirás o mundo,
criarás nações (sem muro),
cultivarás o espírito,
terás romances, pintura, música,
estrelas, passado, poesia
e futuro.

Finalmente chegarás ao apogeu:
conhecerás a Organização, a Burocracia e o Estado,
enfrentarás impostos, juros e comissões,
lutarás contra monstros terríveis
- tráfegos de dentes de sabre, coragem em pílulas
e poluições corpóreas e incorpóreas – ,
viverás de consumo, propaganda, trustes,
terás mil defensores (mundiais, nacionais, continentais),
mas estarás só, só com a solidão das grandes comunidades:
conhecerás os Direitos, o Comunismo, a Democracia e a
Liberdade,
mas estarás agrilhoado por convenções sociais;
conhecerás a Paz Atômica e
a Explosão da Psicanálise,
sonharás com planos, fundos, ligas,
comunidades para todos os cidadãos,
mas cansarás, cansarás, cansarás
e andarás, matarás, morrerás
por múltipla escolha, de:
câncer
napalm
preconceito
metralha
ideologia
religião
burocracia
fome
salário.”



(Peregrinação, de Carlos Trigueiro. O autor nasceu em Manaus, no Amazonas, em 1943, onde viveu seus "oito anos" de Casimiro de Abreu, sem nenhum conhecimento, com toda sabedoria)







Sete Obras de Misericórdia
Pintura: Canato







CICERONEANDO


Há quem diga e sustente que o caminho eletrônico está repleto de coisas vãs e inúteis. No entanto, dentro dessa atmosfera virtual construída por todos nós, espaços existem para muitos, mesmo se atribuindo a alguns a pecha da qualidade duvidosa. Vez por outra, nos deparamos em infindáveis discussões sobre o tema, várias delas engessando a clareza das coisas e até atropelando sentidos válidos de serem apreciados. A cada Leva que se afigura, um desafio se faz presente – emprestar as devidas escutas àqueles que põem o íntimo de suas expressões à prova. Perceber palavras e imagens, ainda que seja tarefa deveras complexa, atira-nos ao terreno gratificante da compreensão sobre o outro. E isso acontece quando os passos nos conduzem ao encontro de signos belos como os expressos na arte de Canato, cujas telas aqui expostas refletem dimensões líricas do espírito humano. Nos versos de Carlos Trigueiro, somos teor profético do já anunciado, ordenação de nosso próprio caos. Numa carta à Clarice Lispector, Luciano Bonfim compartilha mistérios nossos frente ao espelho. Insaciáveis em poesia, vislumbramos Jorge Vicente, Sandro Ornellas, Mônica Montone, Antonio Naud Junior e Floriano Martins. O escritor e operário da palavra Moacyr Scliar conversa conosco sobre literatura e enaltece a valorização aos leitores. André de Leones discorre as suas impressões sobre a “fisicalidade” nos contos e romances. Affonso Romano de Sant’Anna é seguido de perto, em sua crônica, pelos imperativos da história. A musicalidade de Juliana Aquino e Stacey Kent desfila suas intensidades por aqui. As veias da cultura fluem sem parar e o prazer em dividir novas descobertas é renovado a cada passo. Seja imensamente bem-vindo à Vigésima Primeira Leva!


* Para comentar, clique no link EXPRESSARAM AFINIDADES no final da Leva.









JANELA POÉTICA (I)



REQUIEM

(ao José Amor e ao Gonçalo B. de Sousa)

Jorge Vicente



se eu morrer
atira-te do alto da paisagem
e procura um barco

não te preocupes com a bruma
ela seguir-te-á e tu olharás para
os seus segredos,

tentarás desvendá-los,
fecharás os olhos e
imaginarás que a tua fronte

estará coberta por uma mesa
de madeira,
com todas as coisas simples

que uma mesa de madeira guarda

ouvirás um grito claro
como se da noite caísse uma voz
imensa

com as árvores a tolher de surpresa
o repasto dos homens e dos bichos

são horas do anjo fechar a porta
e olhar a lareira já mortiça

os homens, esses, oferecem
o último pão do dia
e respondem que vai alta a noite

e que os viandantes são as últimas
estrelas do descampado

abrem a porta da rua e adormecem
com os olhos secos

a candeia vibra com o repouso
das estrelas silentes

assinalando a eternidade do caminho




(Jorge Vicente, jovem poeta português de 33 anos do Algueirão, desde sempre se interessou por poesia, escrevendo desde os 10 anos de idade. Contudo, foi só em 2002 que se iniciou na publicação de livros através da antologia “www.3poetasemleiria.pt”, conjuntamente com Constantino Alves e o ator José Gil. Desde então, tem publicado em mais antologias e participa ativamente na Lista de Discussão Encontro de Escritas.)







5º Trabalho de Hércules - O Leão de Neméia
Pintura: Canato









COMBINAÇÕES ALEATÓRIAS

Luciano Bonfim



Querida Clarice, saudades,


Você, mesmo não percebendo, curou-me do medo de olhar os meus próprios olhos refletidos no delicado espelho da alma.

Quando mirava-me com os teus olhos de lucidez e delírio, intrigantes olhos de quem sempre estava seguindo as insinuações das espirais da fumaça do cigarro que se perdem pelo espaço e que nos trazem pensamentos adormecidos..., com estes mesmos olhos, certa vez você me sussurrou: ‘se fosse criatura que se exprimisse diria: o mundo é fora de mim, eu sou fora de mim’.

Clarice, vai ser difícil escrever esta história!

Pois, sempre serei o teu amante que registra de maneira precária as pulsões de vida e morte em toalhas de salões insípidos e em guardanapos de bares fétidos (quando nestes momentos, com a minha voz profana, profano o teu sagrado coração selvagem!)

Eu que sempre me perco pelo caminho, te amo para além desta mísera precariedade de vida, talvez neste momento, você me olhasse, bem dentro da minha alma, e dissesse: ‘quando o galo cantar pela terceira vez, renegarás tua mãe, e o senhor precisa dar terra ao milho!’

Então, naquela mesma noite, os três mascarados atravessaram a rua em silêncio.

Os católicos entravam devagar e miúdos na igreja, e procuravas ouvir as vozes esparsas das crianças espalhadas na praça.

Nunca soubemos por que o portão tinha aquela forma, aquele rosto, aquela cor.

Mas quando lembramos das crianças, diante das quais você se tornara culpada, te ergueste com uma exclamação de dor.

disseste uma frase que nenhum dos transeuntes entendeu: viver é luxo!

(Sim, tudo isso viria – a vida, a glória – mas tinha que arriscar tudo.) Depois percebemos que a eternidade já estava deitada e morta, e deitada, morta, era tão grande como um cavalo morto.

Por outro lado, fora das ordens e da execução das ordens, pouco havia a dizer.

Quanto ao homem, seus músculos trabalhavam com exatidão, lentidão e certeza.

Meu bem, aquela vida, na realidade sempre esteve ausente, e a mulher após o incidente da vida, delicadamente então, experimentou o camelo e descobriu que, durante a guerra dos 30 anos, não satisfeitos com a perseguição física, destruíram bibliotecas.

Clarice, idêntico à luz, o tempo também é curvo, e também eu, de fracasso em fracasso, me reduzi a mim, mas pelo menos quero encontrar o mundo e seu Deus.

Assim como naquelas noites em que de maneira delicada entregava-se às minhas mãos vorazes de sentir-te, aos meus olhos que, mesmo confiantes e ofegantes, nunca tiveram coragem de olharem nos teus próprios olhos, mas que hoje já conseguem, graças a você, repito, olharem a si mesmos refletidos no espelho da vida, desde então, dedico-me à saudade de minha antiga pobreza, quando tudo era mais sóbrio e digno e eu nunca havia comido lagosta.

Pela manhã, quando fisicamente abri os teus olhos, realmente as páginas já sorriam compreensivas e irônicas, e pude olhar impassível aquela mulher que, sem avisar, martelava o meu couro (da minha alma voavam faíscas e lascas como aços espalhados).

Clarice, amém para todos nós.



(Luciano Bonfim nasceu em Crateús – CE. É autor de contos e poemas, dentre os quais, “Dançando com Sapatos que Incomodam (2002)” e “Beber Água é Tomar Banho por Dentro (1992 e 2006)”. É professor da Universidade do Vale do Acaraú – UVA. A série “Combinações Aleatórias” faz parte do livro “Móbiles [hestórias e considerações]” – Edições do Caos, 2007)











Tríptico Liberdade, Igualdade e Fraternidade
Pintura: Canato










JANELA POÉTICA (II)


UM BEIJO, UM BLUES

Sandro Ornellas


o que aconteceu, entre
uma crase e uma crise, quase
à deriva, incerto como hélder m.
disse – o que certamente não aconteceu

foi talvez o seguinte
foi
você me beijou e
meu monstro fugiu de mim
e não cultivo mais jardins
que não cresçam em meus cabelos
que não pertençam também a
você

que detém segredos solares
sobre mim e
meu desabrido desejo de te tomar
com controlada loucura
entre os frágeis dedos
das mãos



(Sandro Ornellas nasceu em Brasília-DF (1971) e mora em Salvador-BA desde os 12 anos. Publicou Simulações (poesia, Salvador, Fundação Casa de Jorge Amado, 1998) e Trabalhos do corpo (poesia, Rio de Janeiro, 2007). É professor de literatura da Universidade Federal da Bahia)








OUVIDOS ABERTOS (I)

Por Fabrício Brandão



JULIANA AQUINO – DISCOBOSSA





Um tempo revisitado e seus matizes sensíveis: eis o resultado do primeiro disco solo da cantora Juliana Aquino, trabalho que devota especial atenção à força melódica e suave das canções em destaque. DiscoBossa é mais do que um início de jornada para a cantora, principalmente pelo fato de ser possível encontrar nele todo um apuro e cuidado dignos de uma artista que revela com personalidade os caminhos a percorrer. E o diálogo entre dois gêneros emblemáticos, a Bossa Nova e a Disco, fez-se com adequação e delicadeza, e, para quem percebe as transposições de um estilo ao outro, acaba também por ser surpreendido com o novo percurso trilhado pelos arranjos. A cadência acelerada e dançante do ritmo que marcou uma época, como é o caso da Disco, deixou-se conduzir pelas mãos suaves da Bossa. Por sinal, essa transferência de um ambiente musical a outro chama a atenção no disco, pois não é tarefa fácil manter a fidelidade harmônica e rítmica bossanovista sem romper com a intensidade das letras interpretadas.

Para se ter uma idéia de alguns dos desafios trazidos nesse trabalho, basta sentir o novo terreno em que passeiam canções como I Will Survive e Don’t Let Me Be Misunderstood, verdadeiros hinos da geração setentista e que aqui aparecem encantadoramente revestidos de suavidade e lirismo. Dona de uma voz que se impõe de forma bela e intensa, Juliana sabe conduzir com maestria os nossos sentidos em faixas como On The Radio e Can't Take My Eyes Off Of You. Ninguém menos do que Celso Fonseca, Wilson Simoninha, Leo Gandelman, Torcuato Mariano, dentre outros, vêm acrescentar mais qualidade ao CD dessa baiana que, durante toda a vida, manteve uma relação muito estreita com a MPB. Quando se escuta um disco como esse, percebe-se quão generosa e rica em amplitudes é a nossa música. De fato, outros tantos caminhos possíveis existem, mas a cada um é dada a sua cara, sua força e seu apelo sensível a nos convidar para a redescoberta de nossas porções sublimes de vida.







Quixote
Pintura: Canato










JANELA POÉTICA (III)



MULHER DE MINUTOS

Mônica Montone



Não sou mulher de minutos
Daquelas que os segundos varrem para debaixo do tapete sujo
Não pinto os cabelos de fogo
Nem faço tatuagem no umbigo
Me recuso a usar corpetes e cinta-liga

Há sementes em meu ventre
São poemas que ainda não reguei
Prefiro guardá-los em silêncio
Até que o tempo amadureça meus minutos
E a vida me contemple com seus frutos

Não borro meus cílios com a solidão da noite
Nem pinto meu rosto com a palidez das manhãs
Meu corpo é feito de marés
Onde navegam mil anseios
Veleiros sem direção
Estou sempre na contramão



(A jovem escritora Mônica Montone atua com monólogos poéticos em eventos literários por todo Brasil. É autora do livro “Mulher de Minutos” (Íbis Libris, 2003) e já participou de diversas antologias poéticas. Recentemente, apresentou o show Sol na Boca, no Rio de Janeiro, onde cantou músicas próprias e em parceria com o poeta Claufe Rodrigues)










Da série Anatomias
Pintura: Canato








APERITIVO DA PALAVRA



FISICALIDADE

Por André de Leones



Em certos contos e romances, uma das coisas que mais chamam a minha atenção é a fisicalidade, a concretude. Talvez venha daí o meu apreço pela prosa norte-americana, por autores como Ernest Hemingway, Flannery O’Connor, William Faulkner, Cormac McCarthy e Paul Auster, dentre muitos outros.

O que eu chamo de “fisicalidade” é o estilo de narrar baseado na descrição concreta do mundo e das pessoas, sem abstrações ou digressões que não sejam, por assim dizer, “sólidas”, ancoradas no que pode ser tocado, no que é tangível, no que aconteceu ou está de fato acontecendo. É nesse sentido, aliás, que se diz que a prosa norte-americana é marcadamente realista.

Recorro a Cristóvão Tezza, que descreve assim a prosa de Flannery O’Connor no prefácio da edição dos Contos Completos dela (Cosac Naify, 2008): “O’Connor vê o mundo como uma entidade brutalmente concreta, que para ser reconhecido precisa não de uma tese, mas de um olhar que lhe dê uma dimensão física. Nada é abstrato em sua literatura” (página 689).

Para sublinhar isso, recorro também a uma fala da própria O’Connor: “O fato é que os materiais do escritor de ficção são os mais humildes. A ficção trata de tudo o que é humano e nós somos feitos de pó, e se você despreza o fato de ser pó, é melhor você nem tentar escrever ficção”.

Em um dos contos mais célebres de O’Connor, Um homem bom é difícil de encontrar, encontramos talvez a melhor expressão do estilo da autora. No conto, por uma fatalidade que não deixa de ser patética, uma viagem em família termina em tragédia. Impressiona como o tom da narração nunca se altera. A forma aparentemente leve como a autora descreve os preparativos e o começo da viagem permanece inalterada quando irrompe a violência e o desespero. O efeito disso é muito mais devastador do que se autora resolvesse refletir no texto a brutalidade do que acontece.

No extremo, um autor que utilizou muito esse expediente foi Franz Kafka. Em suas histórias, Kafka nunca se altera, nunca foge do tom monocórdio, aparentemente banal, mesmo burocrático. Com isso, o absurdo inerente ao que é narrado adquire feições quase insuportáveis e fica reverberando na cabeça do leitor por muito, muito tempo.

É a grande lição de Kafka: ater-se às coisas e aos fatos, mesmo quando (ou exatamente porque) nada mais faz sentido.



André de Leones, escritor sem o menor sentido.











JANELA POÉTICA (IV)


Foto: Leila Lopes



IGNORÂNCIA

Leila Lopes


minhas horas vagas
confundem-se com
dias líquidos:
descanso em branco
e pouco

tuas distâncias internas
encarceram o silêncio
esgotado em um mundo
analfabeto e louco






9º Trabalho de Hércules - As Aves do Lago Estinfalo
Pintura: Canato













PEQUENA SABATINA AO ARTISTA

Por Fabrício Brandão


Oitenta livros publicados e uma vida intensamente dedicada a uma relação de cumplicidade com as palavras. Até parece ser uma mera definição genérica para um alguém como Moacyr Scliar. Mas não é. O homem que se dedicou ao nobre ofício de dialogar com as letras, percorrendo gêneros como conto, crônica, romance, ensaio e ficção infanto-juvenil traz, a um só tempo, os olhares aguçados em torno das principais atividades que exerceu durante toda a sua existência: a literatura e a medicina. A conjunção destas duas profissões foi capaz de proporcionar ao autor uma perspectiva diferenciada para a sua obra – a percepção humanista de muitas coisas que nos cercam. Alguns de seus livros foram publicados em vários países e lhe renderam significativos prêmios. É colunista dos jornais Zero Hora (Porto Alegre), Folha de São Paulo e Correio Braziliense. Desde 2003, ocupa a cadeira 31 da Academia Brasileira de Letras, feito que lhe possibilitou o convívio direto com grandes nomes da literatura brasileira. De forma atenciosa e bastante simpática, Moacyr Scliar recebeu a Diversos Afins para uma breve troca de idéias sobre alguns traços de sua experiência literária, revelando suas impressões principalmente quando o assunto é a compreensão da importância do papel dos leitores.



Moacyr Scliar



DA - Muitos de seus contos refletem as facetas contraditórias que tanto fazem parte do âmago da condição humana, subsistindo em alguns deles doses valiosas de uma ironia sutil que dialoga com questões morais e de costumes. Pisar nesse terreno sempre foi um grande desafio para você?

MOACYR SCLIAR - Questões morais e de costumes são a matéria-prima da literatura; de alguma maneira, o escritor sempre lida com elas. No meu caso, entra aí esse humor irônico que me acompanha desde a infância e que faz parte da tradição judaica, a tradição de um sofrido grupo humano que durante séculos usou, e usa, o humor e a ironia como uma defesa psicológica contra o desespero.

DA - O espelho íntimo de nossas misérias é matéria-prima mais reveladora do que a mera exposição de nossas virtudes?

MOACYR SCLIAR - Acho que sim, mesmo porque apregoar virtudes me parece uma conduta um tanto moralista. Mas é claro que expor as misérias da condição humana de certo modo funciona como a indicação daquilo que consideramos o ideal em termos de realização pessoal: identificadas as causas e as manifestações de nossas misérias, podemos mais facilmente elaborá-las e assim viver uma existência mais plena e satisfatória.

DA - Certa feita, você afirmou que escrevia pelo prazer de criar situações e personagens, nesta seqüência. Suas motivações ainda se mantêm segundo esta ordenação ou algo novo modificou fundamentalmente as suas percepções?

MOACYR SCLIAR - Continuo acreditando que ficção é isso, situações e personagens - nesta ordem...

DA - A explosão contemporânea das novas mídias, com um aumento considerável dos chamados "fazedores de textos", acirra em várias direções as críticas negativas sobre os novos rumos da literatura. Em sua opinião, esse desencanto é soberano ou exacerbado?

MOACYR SCLIAR - É exagerado. Estamos vivendo uma nova fase tecnológica no processo de comunicação, com muita gente fazendo tentativas, bem ou mal sucedidas. Mas isto é absolutamente normal. O tempo dirá o que, dessas tentativas, tem valor. E não é impossível que surja uma literatura de internet, com suas regras próprias.

DA - Em matéria de qualidade na criação literária, você acredita que há um intervalo rigoroso entre uma geração e outra, como alguns pregam?

MOACYR SCLIAR - Há diferenças entre gerações, motivadas sobretudo pelas mudanças históricas e culturais. Minha geração, por exemplo, foi muito influenciada pelo realismo mágico latino-americano, que era uma forma inovadora de narrar e, ao mesmo tempo, uma forma de protesto contra a ditadura. Mas ditaduras não existem mais, na América Latina, e o realismo mágico agora é coisa do passado...

DA - Fazer parte da Academia Brasileira de Letras redimensionou a sua visão sobre o ofício de pensar as palavras?

MOACYR SCLIAR - Não. O que a ABL me deu foi a oportunidade de conviver, discutir e aprender com gente culta e inteligente.

DA - O exercício da medicina também foi marcante para caracterizar a sua obra, vivenciando situações que demarcam limiares delicados da existência humana, tais como a dor e a morte. Em que medida o Moacyr escritor mergulhou nessa vivência para aguçar os sentidos de sua observação?

MOACYR SCLIAR - Mergulhei profundamente tanto na realidade do exercício da medicina como na saúde pública, minha especialidade. No primeiro caso foi uma oportunidade ímpar de descobrir como funciona a condição humana em situações-limite; no segundo caso, foi uma porta de entrada para a realidade brasileira.

DA - Você estabelece um diálogo freqüente com novos escritores? Costuma ser muito procurado por eles?

MOACYR SCLIAR - Procuro ajudar jovens escritores sempre que posso, porque também fui (na pré-história) um jovem escritor. Só não faço mais por absoluta falta de tempo.

DA - A simbologia da dualidade judaica abordada em “O Centauro no Jardim”, mesclando religião e questões étnicas, mostra-se atemporal. Como você encara essa permanência de significados face a um mundo ainda carente de tolerância e respeito nas relações entre os homens?

MOACYR SCLIAR - De fato, conflitos de identidade como experimentam os filhos de imigrantes (meu caso) é uma coisa freqüente, mas, no caso de escritores, pode ser até uma fonte de inspiração. Já o preconceito, o racismo, são coisas abomináveis e perigosas e devem ser combatidas sem vacilação.

DA - Em geral, leitores são sempre pensados de forma um tanto passiva, quando o assunto é discutir o que pode atrair mais pessoas à leitura. É possível considerar que nossos paradigmas subestimam os leitores ou ocorre o contrário?

MOACYR SCLIAR - Acho que muitas vezes tendemos a subestimar o leitor, sobretudo o leitor jovem; não são poucas as pessoas que os criticam. É um erro. Na minha experiência, adequadamente motivado (por uma boa história, por um bom trabalho educativo) o jovem lê, lê muito e não raro escreve também.











O Estado de São Paulo
Pintura: Canato










AGENDA DO EXECUTIVO
JORGE T. FLACKS
PARA O DIA DO JUÍZO FINAL*

Moacyr Scliar



Sete horas.

Levantar (mais cedo, hoje). Não pensar. Não ficar deitado imóvel na tentativa de capturar imagens fugidias; deixar que sonhos se escoem, saltar da cama.

No terraço: observar o nascimento do Sol — com olhos secos, sem pensar nos milhões, bilhões de anos que essa luz comovedora etc. Nada disso. Banho, logo.

Sete e trinta.

Desjejum: suco de laranja, torradas, ovos. Comer com apetite, mastigar com energia e rapidamente; não ficar ruminando o alimento, não misturá-lo com pensamentos amargos. Não! Café. Bem forte — com açúcar, hoje, só hoje, nunca mais (daqui por diante, evitar expressões como esse “nunca mais”). Terminar a refeição com um copo de água gelada bebido a pequenos goles. Prestar especial atenção aos cubos de gelo tilintando no vidro. O som alegre.

Oito horas.

Despertar a esposa. Amor. Por que não? É a companheira de tantos anos. Esposa, mãe. Amor sim, amor rápido, mas com toda a ternura. Deixá-la dormir, após. Deixá-la percorrer à vontade o país de seus sonhos; deixá-la despedir-se de seus monstros, de seus demônios, de suas fadas, de suas princesas, de seus dindinhos.

Oito e trinta.

Ginástica. Movimentos rápidos e violentos. Sentir depois os braços formigando, a cabeça latejando, quase estourando: vida.

Nove horas.

Tirar o Corcel da garage. Dirigir para o centro. Aproveitar o trajeto para pensar. Tentar esclarecer definitivamente certas dúvidas; talvez passar na casa do rabino. Talvez falar com um padre também. Talvez reunir padre e rabino?

Dez horas.

Escritório. Despachar os últimos papéis. Colocar a mesa em ordem. Limpar gavetas, jogar fora quinquilharias. Tomar caneta e uma folha de papel. Escrever — carta, poema, qualquer coisa. Escrever.

Doze e trinta.

Almoço. Amigos. Salada, carnes frias. Vinho. Falar muito, falar bobagens. Rir. Observar os rostos. Memorizar detalhes dos rostos. Abraçar os amigos. Abraçar comovidamente. Mas sem lágrimas. Nenhuma lágrima.

Quinze horas.

Telefonar para doutor Francisco. Perguntar se ainda há alguma coisa a fazer (pouco provável); mas recusar tranqüilizantes.

Dezoito horas.

Voltar para casa. Reunir a família, o caçula também. Tirar o Galaxie da garage, mencionando o passeio. Dirigir para os arredores da cidade. Procurar lugar elevado, com vista ampla. Estacionar. Fazer com que todos desçam do carro. Em voz baixa, calma, explicar o que vai acontecer: a terra que se abrirá (como se estivesse muito seca, explicar), os ossos que aparecerão — ossos apenas, brancos, limpos — e que se cobrirão de carnes, de cabelos, de olhos, de unhas: homens, mulheres, rindo, chorando.

Concluir: Vai começar agora, filhos. Vai começar agora. Até agora, era tudo brincadeira.


*Conto integrante do livro A Balada do Falso Messias(1976)













8º Trabalho de Hércules - A Hidra de Lerna
Pintura: Canato













JANELA POÉTICA (V)

Antonio Naud Junior



escuto o silêncio.
é coisa para doidos,
como esperar a nudez
de um amanhecer cinzento
ou seguir em transe uma abelha
de flor
em flor.
a música
do silêncio-jazz.
para não extinguir a esperança
do inominável mistério.
mistério meu, que muito quero.
aceitando tudo, vomitando tudo.
aproximo os ouvidos:
não existe terra,
não existe céu.
tão somente a vida é lenda.
escuto, escuto o silêncio-jazz.


*Poema integrante da obra “Livro de Imagens”


(Os poemas do grapiúna Antonio Naud Júnior fazem lembrar o famoso claro-escuro de Tiziano, estratégia usada pelo pintor italiano para exibir a existência de uma “visão absoluta”. Nós vemos, mas não vemos, ou seja, quando vemos – no mesmo momento e para que isso seja possível – não vemos. O contraste é a matéria da visão. É nesse claro-escuro que Antonio escreve. “Livro de Imagens”, a nova obra do autor, faz parte da Coleção Selo Editorial Letras da Bahia)












Da série Bahia
Pintura: Canato














DROPS DA SÉTIMA ARTE

Por Fabrício Brandão



O Escafandro e a Borboleta (Le Scaphandre et le Papillon). França/EUA. 2007.



O jogo de oposições entre aprisionamento e liberdade é algo que recorrentemente povoa a vida de todos nós. As metáforas possíveis que se encaixam nessa relação vão muito além de meras questões do ponto de vista físico e servem como reflexão pungente das ações/omissões humanas. Dentro dessa perspectiva, O Escafandro e a Borboleta promove um percurso onde signos, memória e uma rede complexa de percepções dispersas buscam munir uma existência com outros sentidos. O filme narra o destino avassalador pelo qual passa o personagem Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric), célebre editor de uma famosa revista francesa de moda. Bauby, após ser acometido por um AVC, tem a vida radicalmente transformada e passa a ser prisioneiro do próprio corpo, vivenciando o que a medicina define como “Síndrome do Encarceramento”. Em função disso, ele fica limitado apenas aos movimentos do olho esquerdo, único meio de comunicação com o mundo exterior.

À primeira vista, percebendo uma desventura como essa, pode-se até pensar que a narrativa do filme seguirá um caminho carregado de lentidão e pieguice, características muito comuns em dramas do gênero. No entanto, nada disso ocorre e a obra ganha méritos por saber se valer de elementos que imprimem um ritmo significativo à sucessão de cenas. A presença marcante daquilo que em cinema se chama câmera subjetiva faz as vezes de um protagonista que convoca o espectador a um acompanhamento do olhar. A visão de Jean-Do confronta, com lirismo, passado e presente, divisando o que foi e aquilo que poderia ter sido. Pequenos flashes de memória reconstroem sensações de outrora e, em outros momentos, idealizam novas situações nas quais a consciência do personagem anseia por reparações. Dotado de um dinamismo que, em alguns instantes, beira as fronteiras de um ambiente poético, o roteiro não cede espaços ao jogo perverso das lamentações. Baseada no romance homônimo de Jean-Dominique Bauby, a película exalta o inconformismo de um alguém com o seu destino, fato que o leva a buscar nos recursos das lembranças e da imaginação a motivação necessária para continuar vivendo.

Trazendo para as nossas próprias lições cotidianas, o lapso que separa o escafandro que colocamos sobre nós mesmos e a tão desejada perspectiva da borboleta parece ser diretamente proporcional à nossa miopia.













JANELA POÉTICA (VI)



Imagem: Floriano Martins




NATUREZA MORTA

Floriano Martins


Parecem reservados refúgios e extravios,
como lugares marcados, visíveis ou não,
bilhetes de risos e lágrimas, ao gosto
de rostos rivais, inocentado abandono.
O teu corpo caindo de um lado e outro,
logo outro, sem que saibas de quem,
recolhendo suas sombras antes de ir.
Luzes desfeitas em seu espectro imóvel.
Abrir a porta a um batismo de escombros,
sem que ninguém recorde a artimanha
com que a vida se refaz em cada um de nós.
Não vamos a parte alguma, vagão ansioso,
jardim recoberto de ilusão e semelhança.
Mal nos atrevemos a soletrar esta fria queda.



(Floriano Martins é cearense e já publicou alguns livros, entre poemas, ensaios, traduções e preparação de antologias alheias. Edita uma revista virtualíssima, a Agulha. Tem uma incorrigível inclinação para envolver outras pessoas em tudo que faz, em decorrência do que certamente estejam em curso projetos dentro e fora do país, envolvendo a publicação de livros e a organização de eventos)







OUVIDOS ABERTOS (II)

Por Fabrício Brandão



STACEY KENT – BREAKFAST ON THE MORNING TRAM





A apreciação e o gosto pessoal certamente nunca seguiram uma ordenação determinada. Na verdade, nem devem ficar presos a isso, pois impulsos aleatórios fazem parte de nossas primeiras impressões e sintonias com a sonoridade que nos é proposta. Entretanto, se você se deixar conduzir de imediato pela primeira faixa de Breakfast on the Morning Tram, dificilmente perderá a vontade de seguir adiante e descobrir o que reserva o trabalho dessa americana talentosa cuja voz sugere uma feição de serenidade à música. Stacey Kent nos toma pela mão e nos chama desde já pela suave The Ice Hotel, faixa que funciona como um bom convite ao romantismo. Coisa bacana nesse CD é perceber que a artista sabe muito bem em que terreno pisa, apresentando um disco que reflete sua amplitude musical. Prova disso está na interpretação belíssima de Samba Saravah (Samba da Bênção), canção de Vinícius e Baden Powell, aqui magistralmente cantada em francês.

Amante confessa da Bossa Nova, Stacey deixa isso bem claro em seu disco, sobretudo na sublime I Wish I Could Go Travelling Again, faixa cujos arranjos promovem um acertado percurso no gênero. A predileção pelas composições de Serge Gainsbourg também faz parte da obra e visita as faixas Ces Petits Riens e La Saison des Pluies, ambas dotadas de suavidade e cujos caminhos melódicos apontam para o que a própria cantora define como sendo uma espécie de tristeza otimista. Breakfast on the Morning Tram soa intensamente jazzístico e é um álbum onde o apuro e o bom gosto percorrem as estradas musicais de mãos dadas. Depois de sete discos gravados, a palavra de ordem para Stacey Kent parece ser a maturidade refletida no tom confessional que marca o seu mais novo disco. A você, caro leitor, fica a oportunidade válida para se deixar levar pelos espaços infinitos que só a boa música pode proporcionar.











Madalena
Pintura: Canato















A HISTÓRIA ME PERSEGUE

Por Affonso Romano de Sant'Anna


Estou chegando a Roma, indo no rumo da Sicília e hospedo-me num hotel na via Rasella. A história tem mesmo mania de passar por onde passo. Foi assim em 1991 quando estava em Moscou e o comunismo desmoronou na minha frente ali na Praça Vermelha. Agora chego na Itália, e enquanto os jornais e televisão fazem uma revisão do fim da era fascista de Mussolini, dou-me conta que estou na rua onde os partisans italianos mataram 31 soldados inimigos e, como vingança, os nazistas ordenaram a morte de 10 italianos para cada alemão morto. Acabaram fuzilando 335 homens e crianças e jogando-os na fossa Ardeatina.

No entanto, o presente, às vezes, me dá notícias mais amenas: vejo a foto do primeiro ministro espanhol- Zapatero, rodeado de suas nove novas ministras. Uma delas, ministra da defesa, grávida, imponentemente, passa em revista à tropa. O mundo pode mudar. Mulheres são mais da paz que os homens.

Quero arte, beleza. No Museu Nazionale uma bela exposição de um pintor barroco pouco conhecido- Sebastiano del Piombo (1485-1544). Contemporâneo de Rafael e Michelangelo, influenciaria Tiziano. Enquanto as tropas de Carlos V saqueavam Roma, em 1527, ele permanecia com Clemente VII no Castel Sant'angelo.

As guerras e a política insistem em atravessar meu caminho, mas vou assistir Pirandello ("Pensarci Giacomino"), o nobel siciliano que retratou a ambígua moral burguesa de seu tempo. Entro nessa e naquela livraria e vejo um livro perturbador que analisa a formação fascista de Cioran, Eliade e Ionesco. Em compensação, vejo uma insólita foto de Marilyn Monroe no livro "Le donne que leggono sono pericolose (As mulheres que lêem são perigosas). Vejam só, a deusa sensual está sentada lendo o "Ulisses" de James Joyce. E acrescentava que lia em voz alta para entender melhor.

História e cotidiano se misturam sem pedir licença. Há uma semana está rolando aqui o "Festival de Filosofia", no qual grandes nomes fazem a revisão do "maio de 68" na Itália. Cohen-Bendit, Fernando Savater, Bertolucci, Erica Yong, Luis Sepúlveda e uma dezena de outros falam diariamente sobre as ambigüidades daquela época caótica e utópica.

Ora, a arte e a ciência tentam ordenar o caos. Mas nessa encruzilhada fico sabendo que acaba de morrer Edward Lorenz, o criador da "teoria do caos", que dizia que o caos tem sua lógica e que "a batida de asas de uma borboleta no Brasil pode provocar um furacão no Texas". O contrário é que tem acontecido, pois toda vez que o texano Bush abre as asas, morre gente no Iraque e Afeganistão. Notícias dizem que os 300 mil soldados americanos naqueles países estão deprimidos, cinco mil suicidaram e 37 mil telefonam diariamente para a "hot line" pedindo ajuda.

Vou continuar vendo tudo o que posso em Roma, mas meu destino é a Sicilia. Em Palermo estou programado para assistir no Teatro Massimo a ópera "Ana Bolena" de Donizetti. Verei a peça de Botho Strauss -"L'una e l'autra", passarei diante da fantástica catedral que resume todos os estilos arquitetônicos desde os normandos e os árabes. Entrarei em desnorteantes igrejas barrocas: a de São José Tietino (onde nas abóbadas há um exame de anjos esculpidos); a de Santa Catarina e o inexcedível tratamento do mármore misto; a Martorana com mosaicos árabes, e o templo normando onde os nobres se deitavam nus, com o umbigo colado no chão, em devoção, antes de partirem para a famigerada "guerra santa" no Oriente.

Sim, assistirei ao típico teatro de bonecos onde são dramatizadas as batalhas de "Orlando Furioso", a "Chanson de Roland" e a interminável e repetida história de amor e sangue que vaza dos jornais e só a arte pode resgatar.

Mas a história insiste em pavimentar o meu caminho. Por aqui começou Garibaldi a reunificação da Itália. Aqui desembarcaram os aliados há uns 60 anos. Olho o mapa do passado e do presente. Siracusa, Agrigento, Taormina me esperam. Há milhares de anos que me esperam. Podem esperar um pouco mais.



(Affonso Romano de Sant’Anna é colaborador ativo da Diversos Afins)









1º Trabalho de Hércules - As Éguas de Diomedes
Pintura: Canato














JANELA POÉTICA (VII)


VESTÍGIOS DA SOMBRA PERMANENTE

Fabrício Brandão


Tudo são restos desse desejo insaciável,
alimentando horas de procura cega,
tornando-me substância única,
sôfrego,
um quase náufrago em pleno mar de cínica calmaria.

Estive em paredes,
durante intermináveis faíscas reluzentes.
A roda-viva,
uma chama que clama feroz por meu nome.
E a cada instante anseio entrar em cavernas
para acordar um animal liberto.

O corpo, talvez um cárcere proibido,
extrapola outras projeções de gozo,
desenhando novas fantasias de toque
a cada submundo revelado em tantas existências.

Aqui neste ambiente
não reconheço o aroma único do deleite
nem faço força para inventar um novo rosto.
Traído pelos signos dos sentidos,
não sou alma, tampouco carne ardente.
Um suspiro.
Apenas transito pelas alamedas de tuas ausências.








3º Trabalho de Hércules - Os Pomos de Ouro das Hespérides
Pintura: Canato













* A arte do paulista Canato revela-se numa crença à mudança do mundo através da sensibilidade, algo que simboliza o Sagrado das coisas e as transcende. Desde 1984, o artista trabalha profissionalmente, enfocando temas simbólicos e sociais. Guarda em seu currículo uma vasta participação em exposições nacionais e internacionais, tendo recebido premiações significativas pelo seu trabalho. Merece especial atenção a representação do humano em suas obras, cuja força é exprimida através dos apelos do Belo em contornos, gestos e expressões que fidelizam os mais variados sentimentos. Uma das influências marcantes de Canato está no vigor da estética renascentista e barroca presente em muitas de suas telas, característica reforçada pela ênfase lírica que a conjunção de signos do corpo humano sugere. Em meio a uma vida intensamente dedicada aos comandos da beleza, o artista soube construir sua obra com personalidade, determinando seu próprio caminho.


Contato: canato@canato.com.br

Blogs: Arte e Design



 
publicado por Fabrício Brandão
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